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Pequena pausa para reflexão

17jun2013-manifestantes-chegam-ao-cruzamentos-das-avenidas-faria-lima-e-reboucas-em-pinheiros-zona-oeste-de-sao-paulo-no-5-protesto-contra-o-aumento-das-tarifas-do-transporte-coletivo-1371505262094_1920x1080

Boa noite Monsters, sempre atualizamos vocês de tudo que acontece no mundo do MMA, esporte que tanto amamos. No entanto, o Brasil, país em que vivo, está passando por mudanças.

Nós do Monster MMA estamos participando do movimento. Antes de fãs, somos cidadãos de uma sociedade que vive um câncer generalizado. Portanto, consideramos esse engajamento importante e necessário. Quando o movimento exigir menos de nós, voltaremos a postar. Nesse momento, peço para que usem e abusem dos nossos parceiros e portais do esporte.

Desculpe-nos o transtorno, estamos nas ruas mudando o Brasil.

Segue uma frase de Vitor Belfort:

Vitor Belfort

Também deixamos aqui nossa opinião sobre o assunto fazendo nossas as palavras contidas no texto de Pedro Calabrez:

Algumas pessoas afirmam que a causa das manifestações é a ausência de causa. Não concordo.

Para alguns, é falta do que fazer. Para outros, sintoma de uma parcela “perdida” da sociedade. Deveríamos, dizem eles, nos unir perante uma causa, de maneira racional e focada. Uma causa nobre e legítima. Acompanhá-la e por ela lutar.

Tal perspectiva sofre de dois problemas.

Primeiramente, porque parte de uma visão cartesiana do ser humano que é ingênua e simplesmente errada. As pessoas não são racionais. Em segundo lugar, porque foco implica um problema específico, a ser atacado especificamente.

Pegue um quadro e escreva nele tudo o que deve ser feito pelo Estado brasileiro, de acordo com a Constituição. Pergunte-se: “qual é a qualidade disso?” Pegue um dardo, feche os olhos e atire contra o quadro. Certamente seu dardo acertou algo que merece a resposta: “a qualidade disso é péssima”.

Existem, é claro, dimensões em que o Estado faz muito bem seu trabalho. Um bom exemplo é a Receita Federal. Recebi, recentemente, uma carta dizendo que houve uma irregularidade de R$ 0,30 (trinta centavos) em meu imposto de renda de 2010.

No entanto, a imensa maioria das funções desempenhadas pelo Estado é de qualidade precária ou inexistente. A constituição garante saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade, convivência familiar e comunitária. Além disso, o cidadão tem o direito e a garantia de viver a salvo de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Para alguma dessas “garantias” você é capaz de dizer “o Estado brasileiro realmente garante isso, e o faz muito bem”?

Não.

O povo brasileiro é um povo historicamente apático. Apanha e não devolve. Por isso mesmo, o problema do país não é específico. Generalizou-se, espalhando-se para todos os cantos como um câncer metastático.

Quando um tumor é localizado, delimitado, é possível intervir com foco. No entanto, quando um câncer atinge metástase e se espalha pelo organismo como um todo, propor foco é um contrassenso. Não faz mais sentido, pois o problema tornou-se generalizado.

Talvez o “câncer” brasileiro tenha um nome: corrupção. É uma sólida hipótese. Ela está por todos os lados, em todos os cantos. Em todas as instituições que dizem oferecer o que a Constituição “garante”.

Alguns defendem que, para combater a corrupção, devemos “votar bem”. O problema é que esses mesmos corruptos compram votos de uma população carente de tudo (principalmente educação, necessária para a consciência política). Ciclo vicioso. Bola de neve.

Ouvi gente dizendo que os manifestantes são “mimados”. Pelo quê? Pela admirável e invejável qualidade do serviço público brasileiro? Pelo berço de ouro garantido pelo Estado? Pelo respeito que recebemos dos governantes?

Mimado é quem tem tudo e reclama. O povo brasileiro não recebe nada como deveria (ou, como afirma a Constituição, como lhe é “direito e garantia fundamental”). É por isso que está reclamando de tudo.

Volto ao meu ponto: as pessoas não são racionais. A população sofre. Sofre pagando impostos estratosféricos. Sofre quando depende de serviços públicos precários, ou pagando serviços particulares decentes que os substituam.

Sofrimento é um sentimento, não uma conclusão lógica.

E sentimentos se acumulam, até que explodem. Todo ser vivo pode chegar ao ponto do “já basta”. Um cão que morde o dono abusivo.

Se a corrupção é a causa primeira, fundamental, dos problemas no Estado brasileiro, devemos perguntar: o que permite que a corrupção se prolifere desimpedida? A resposta é óbvia: a inércia da população desunida.

Está aí, então, uma razão para louvar as manifestações. Tem (muita) gente se unindo e deixando a apatia de lado. A união, em si, já é foco.

Só não devemos permitir que a revolta vire um fim em si mesmo, revolta pela revolta. Temos uma causa clara: queremos um Estado a serviço de nossos interesses, e não o oposto. Neste momento, o carro-chefe é a revogação do aumento no transporte público.

Não devemos, também, perder a razão. Violência gratuita só conquista inimigos. Prova disso é o resultado da ação da polícia no dia 13/06. Claro que haverá vândalos e baderneiros. A imbecilidade é algo muito democrático e bem distribuído: há uma parcela de imbecis em todos os lugares.

Resta-nos lutar (e não só ter esperança) para que isso tudo seja o primeiro passo de muitos outros que virão –- cada vez mais focados e racionais. Que esses sejam os primeiros vinte centavos de muitos outros que estão por vir.

Quem acha que a sociedade deveria, da noite para o dia, despertar da apatia para uma racionalidade focada, organizada, específica e direcionada –- esse sim é sujeito o utópico, não quem está na rua. Um dia de cada vez.

É fácil criticar a comida no prato. Difícil é aprender a cozinhar. É fácil criticar quem acabou de entrar na cozinha e ainda está fazendo miojo. Só que ninguém vira chef do dia pra noite.

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